Vereador André Alves declara postura independente e faz alertas sobre rumos de Ubá
Na primeira reunião ordinária após o recesso parlamentar, realizada na noite de segunda-feira (2), na Câmara Municipal de Ubá, o vereador André Alves (PL) utilizou a tribuna para fazer um pronunciamento firme e repleto de críticas à condução da administração municipal neste início do segundo ano de mandato do Executivo.
Dirigindo-se aos colegas parlamentares e à população de Ubá, o vereador afirmou que iniciou seu mandato apoiando o atual grupo político no poder, mas que, diante do que classificou como distanciamento entre discurso e prática, decidiu adotar uma postura independente. Segundo ele, sua atuação agora é “exclusivamente pautada pelo interesse público”.
Questionamentos sobre contratos e decisões administrativas
Entre os pontos levantados, André Alves citou contratações realizadas por inexigibilidade de licitação, que, segundo ele, dificultam a transparência e o acompanhamento por parte do Legislativo e da sociedade. Um dos exemplos mencionados foi o contrato da empresa Suma Brasil, responsável pela coleta de lixo no município, que, de acordo com o vereador, gerou diversos questionamentos.
O parlamentar também criticou a tramitação do novo Código Tributário Municipal, que, segundo sua avaliação, foi aprovado de forma apressada, sem tempo adequado para análise dos vereadores, sem participação popular efetiva e sem a apresentação clara do impacto financeiro para a população.
Outro ponto destacado foi a alteração no regimento interno da Câmara. Para André Alves, as mudanças teriam sido feitas para atender interesses do Executivo, o que, em sua visão, enfraquece a autonomia do Poder Legislativo.
Denúncias e pedidos de investigação
Durante o discurso, o vereador relembrou ainda o caso dos kits odontológicos, que, segundo ele, apresentavam indícios de superfaturamento e acabaram sendo barrados após atuação conjunta dos parlamentares. Ele ressaltou que a votação foi decidida por ampla maioria e defendeu a importância de uma Câmara “unida e vigilante”.
André Alves também mencionou dois requerimentos apresentados por ele solicitando prestação de contas sobre a gestão da Casa da Juventude. Conforme relatou, denúncias indicariam possível desvio de recursos oriundos de benefícios sociais, como BPC e LOAS, ultrapassando R$ 60 mil. O vereador defendeu apuração rigorosa dos fatos.
Outro tema abordado foi a mudança nos critérios de seleção para as novas casas populares. Segundo ele, o modelo anterior garantiria mais transparência e justiça, enquanto o novo formato, em sua avaliação, gera dúvidas e reduz a confiabilidade do processo.
Críticas à condução do governo
Em tom de alerta, o vereador ainda afirmou que há influência excessiva de um gestor específico dentro da administração municipal, o que, segundo ele, estaria resultando na tentativa de implantar em Ubá um modelo de gestão que não dialoga com a realidade local.
Para André Alves, o papel do vereador é fiscalizar o Executivo e legislar em favor da população, e não transformar o Legislativo em “mera extensão do Executivo”. Ele também demonstrou preocupação com a busca por recursos sem planejamento e diálogo, o que, na sua avaliação, pode trazer prejuízos a curto, médio e longo prazo para o município.
Apelo aos colegas parlamentares
Encerrando sua fala, o vereador afirmou que não fazia ataques pessoais, mas sim uma manifestação em defesa de um Legislativo forte, independente e respeitado, além de um Executivo comprometido com transparência e responsabilidade no uso do dinheiro público. Ele convidou os demais vereadores a também se posicionarem sobre o momento vivido pela cidade, ressaltando que o silêncio diante de possíveis irregularidades não deve ser uma opção.
Reportagem: Zona da Mata News
Veja a fala na íntegra do vereador André Alves clicando no link abaixo:





















